▲ resiliência ▲
Eu tenho medo. E só. Tenho medo de acabar virando um objeto frio e úmido no canto da sala. Minha respiração qualquer dia desses acaba virando uma surpresa. Desagradável surpresa empatando a mobília. A verdade é que aqui, vendo minha existência de cima como sempre vi, a vista é linda. Sou uma infiltração na minha própria vida, carente de remendos. Sou uma máquina de falar sobre saudade e amor. Nasci e me criei com choro preparado e previamente ensaiado, esperei nove meses dentro de uma solidão manchada com sangue, e gritei pro mundo inteiro me ouvir. Gritei tanto que todos os corredores da morte se calaram e todos os porcos morreram sem lágrimas. Era luto. Pena. Tive medo, tenho medo, sempre terei medo. Medo por ver pessoas estranhas e me reconhecer em cada rosto e em cada desprezo latente. Sou uma máquina sem óleo, amor e saudade são vícios, e vício leva o ser humano ao êxtase e a decadência. Sentimento alcoólatra que se embrigada de perfume para fazer a cirrose ser poesia. Banalização do atestado de óbito. Coisa mais ridícula é ter medo de si e dos próprios medos. E tenho. Sou condicionado a viver num coronelismo sentimental. Meu peito é oligarquia. Ah, se tivesse em mim todos os amores que inventei e todos os sofrimentos que senti. Se tivesse em mim pelo menos metade da angústia e dessa solidão que me esmaga o peito todas as noites, mas não, não tenho. Se tivesse, se eu pelo menos tivesse uma parte ou terça parte daquilo que vivi ainda habitando dentro dessa carne elástica, impediria o próximo adeus que vai me escrever. Eu imploraria, sim. Eu imploraria pra que alguém, qualquer pessoa, não fosse embora. Eu me jogaria na frente de um pedestre e choraria até ser preso, ou até ele criar raízes. Eu pediria mais desculpas, menos revolta, eu viraria vegetariano, eu seria feliz. Acontece, eu sei, que se esse amor existisse, que se essa saudade que eu digo sentir se fizesse presente e palpável, se eu fosse máquina não alienada, eu nasceria ontem e morreria amanhã. Não daria tempo. Não daria tempo nem sequer de explodir. Minhas vísceras e minha alma são recheadas de hipóteses, e é por isso que tenho medo. Tenho medo de ser o que não sei. Acordo amanhã sem saber o que fui hoje. Porque sou máquina e meu amor se move por terceiros, por quartos, por quintos, até descobrir que os números são infinitos, e morrer de exaustão. O que me falta é domesticar esse emaranhado de barba, DNA e aspas que encontro atrás do espelho. Prefiro me reconhecer no rosto dos outros, porque sou estranho a mim mesmo. Sou alheio. Avulso. Sou máquina e meu choro funciona como tinta e papel. Mas tinta acaba. E minha tristeza fica pela metade. É por isso que falo sobre o que não vivi. O que vivo eu não sei. Nunca consegui completar todas as linhas. Porque tenho medo. Não tenho paciência e não tenho pulso, porque parte de mim é só humano e ser humano significa ter medo de acabar virando só máquina. Alguém se foi, alguém se vai. Todos os dias. Eu só não sei quem. E a saudade é o que me faz viver e tentar descobrir qual parte de mim está doendo.

Cinzentos.

Desamarra a cara, perdoa minha voz alterada, meu olhar vazio, minha rispidez. Esquece a mágoa, aceita minhas desculpas, faz as pazes com meu coração. A vida é curta para a gente guardar rancor e alimentar desilusões.

Gabito Nunes. 

Era uma noite tranquila. Eu via a lua brilhando e às estrelas em volta. Era estranho, eu via você, como se a lua refletisse tua face, e às estrelas, teu brilho.

Londres, 1999

João estava cansado, cansado de ser dividido. João odiava mentiras, odiava quem escondia a verdade e deixava bem claro isso a todos seus amigos. João um cara palhaço e amigo, companheiro e leal descobriu que a maioria de seus amigos mentia para ele e com isso João resolveu mudar. Começou com um, depois com outro e cada vez descobria mais e mais mentiras de cada um. João não conseguia conviver com aquilo, doía o peito, ardia a tua alma, ele não conseguia se dar bem em meio a tantas mentiras. Pobre João, confiava e acreditava em tantas pessoas que acabou caindo do cavalo, ate quem menos esperava lhe deu uma apunhalada pelas costas. João estava triste, ele só queria ser especial pra alguém. João queria ser único, coisa que João não era pra ninguém.

As mentiras contadas a João. 

Eu devo reconhecer que ninguém me conhece. Não realmente. Os que mais sabem não sabem da metade. Não deixo todos os segredos escaparem de mim, não mesmo. Uma delicadeza com os outros, eu diria, pois não quero assustar as pessoas com meu passado. Em especial aquelas que continuaram gostando de mim após o pouco que souberam. Mesmo porque aquela, que fez aquilo, não está mais aqui. Eu sou literalmente outra.

Fernanda Young.

Te escondi dentro de uma caixinha. Nunca fui de dividir minhas coisas, quem dirá você. Eu não acho uma definição pra você, nem no maior dicionário do mundo. Você é sem palavras e é completamente sem sentindo. Eu podia ser clichê e dizer que tu é minha vida. Mas, por ser eu, não vou dizer isso. Mas posso dizer que você é uma grande parte dela, sabe? Você não faz uma grande parte da minha vida, você é. Que tipo de pessoa se define em “vida”? Blé. Nunca fui de ser romântico, mas você descobre lados meus que eu nem sabia que existiam.

Robin and Stubb.

O que estou querendo dizer é que tem horas que você precisa botar tudo pra fora. Toda a raiva. Toda a dor.

John Green   

Sempre quis um amor, que por amor, me quisesse também.

Lucas. 

E de dois em dois minutos eu revejo se não estou enganado. Só queria que quando eu revesse o celular uma mensagem sua aparecesse. Já mandei tantas e tantas que até perdi a conta ou até fiz isso de propósito para que pudesse receber uma única resposta. Eu não fiz merda, não te traí, não te tratei mal e muito menos neguei você. Eu só queria uma explicação dessa sua dispersão

Final sem começo.

De todos os idiotas do mundo eu quis você porque a sua idiotice parece um pouco com a minha.

Thiago Polycarpo.